8 de agosto de 2009
Vamos Fazer um Filme
Achei um 3x4 teu e não quis acreditar
Que tinha sido a tanto tempo atrás
Um exemplo de bondade e respeito
Do que o verdadeiro amor é capaz.
A minha escola não tem personagem
A minha escola tem gente de verdade
Alguém falou do fim do mundo,
O fim do mundo já passou
Vamos começar de novo:
Um por todos, todos por um.
O sistema é mau, mas minha turma é legal
Viver é foda, morrer é difícil
Te ver é uma necessidade
Vamos fazer um filme.
E hoje em dia, como é que se diz: "Eu te amo."?
Sem essa de que: "Estou sozinho."
Somos muito mais que isso
Somos pingüim, somos golfinho
Homem, sereia e beija-flor
Leão, leoa e leão-marinho
Eu preciso e quero ter carinho, liberdade e respeito
Chega de opressão.
Quero viver a minha vida em paz.
Quero um milhão de amigos
Quero irmãos e irmãs
Deve de ser cisma minha
Mas a única maneira ainda
De imaginar a minha vida
É vê-la como um musical dos anos trinta
E no meio de uma depressão
Te ver e ter beleza e fantasia.
E hoje em dia, como é que se diz: "Eu te amo."?
E hoje em dia, como é que se diz: "Eu te amo."?
E hoje em dia, como é que se diz: "Eu te amo."?
E hoje em dia, vamos fazer um filme ?
Eu te amo
Eu te amo
Eu te amo
3 de agosto de 2009
Sobrevivência humana: natureza e modelos sócio-econômicos
Chomsky - O único lugar onde o capitalismo existe é nos países do Terceiro Mundo, onde ele é imposto à força. (Noam Chomsky em entrevista a revista IstoÉ publicada em 27/02/2009).
Com uma resposta assim, o que me resta escrever sobre o assunto?
Eu sou integrante do Partido Comunista do Brasil - PCdoB e já escrevi algumas vezes aqui sobre a minha decisão e preferência pelo socialismo:
Uma opção particular pelo Socialismo
O exemplo que o sistema esconde
A desumanização do macaco
Leigos e cínicos
Entre esses posts, em O exemplo que o sistema esconde um de meus grandes amigos, o Prof. Dr. Tassos Lycurgo (UFRN), fez um comentário semelhante à resposta de Chomsky, só que ao contrário. Lycurgo reconheceu que o capitalismo praticado no Brasil não possui “um sistema de liberdades com a colocação do ser humano no epicentro axiológico de todas as decisões estatais e da sociedade (políticas, jurídicas, etc.)”, mas em seguida, listou como exemplos de sucesso do capitalismo os países escandinavos.
Nós sabemos muito bem que todo conforto dos países ricos está atrelado à nossa exploração. Isso é tão óbvio que todos nós também sabemos que não há como o planeta suportar por muito tempo a existência de impérios como o americano com seus padrões atuais de consumismo e degradação do meio ambiente sem precedentes na história humana e planetária. Mais ainda, não existe nem a possibilidade de outro país chegar a esse patamar de demanda energética.
Muita gente deve pensar que nós brasileiros somos os únicos responsáveis pelas queimadas na Amazônia, devastação da Mata Atlântica, emissão de gases nocivos para a atmosfera. Sim, pessoas estão por trás disso, mas são todas produtos de um sistema sócio-econômico que envolve a maioria dos países ocidentais. Afinal, capitalismo não possui pátria alguma e é fundamentado na característica mais inumada e antinatural possível: individualismo!
Nós somos animais sociais altruístas-recípocros, quase todos os grandes macacos são assim. Mesmo os orangotangos possuem parte de sua existência com relacionamentos familiares e afetivos, afinal uma mãe e seu filhote, ou uma fêmea nos braços de um macho são pequenos grupos de animais que necessitam um do outro para existir por um determinado tempo. Indo um pouco mais distante, entre os mamíferos, sabemos que a diferença entre animais sociais e os ditos “não-sociais” é uma questão de grau, tempo, intensidade do convívio e comportamento (ver Souto, 2000: 123-124. Etologa: princípios e reflexões. Editora Universitária - UFPE). Dessa forma, viver em grupo, trabalhar, cuidar da coletividade é algo que pré-data a nossa origem como seres humanos.
Individualismo nesse contexto de sobrevivência possui freios e é regulado por indivíduos altruístas-recípocros há milhões de anos. Imaginem a seguinte história fictícia e antropomórfica: nas matas do Congo nasceu algo novo, “um chimpanzé empreendedor” chamado Boris. Ele é individualista, competitivo, agressivo e um acumulador exagerado de recursos. No grupo de sua origem todos cooperavam entre si, mas Boris em alguns anos de vida impõe sua regra de “se dar bem para si e só para si”. Boris se transformou no mais poderoso macaco detentor de quase todas as árvores frutíferas e caça da floresta. Para comer, todos após a ascensão de Boris, tem de pagar a ele de alguma forma. Quando não possuem nada, Boris deixa todos os frutos e carne apodrecerem, não permitindo acesso à alimentação, mesmo que ele já possua muito mais do que necessário em sua vida de bonança.
Notaram que não dá para continuar com essa história? Na realidade se um chimpanzé caçar em grupo, mas não dividir a carne com justiça, esse indivíduo, não importando sua posição no grupo, será penalizado pelos outros nas próximas caçadas. Imaginem o cenário anterior? Ao primeiro sinal de comportamento nocivo ao grupo, Boris seria expurgado, senão surrado até a morte. A sobrevivência de todos não pode ser posta em risco pelo gozo desmedido de um indivíduo.
Essa política dos chimpanzés é conhecida desde o clássico livro de Frans de Waal "Chimpanzee politics: power and sex among apes" (1982) e essa política de grupo é a chave para compreensão da origem das sociedades humanas. Chimpanzés são nossos irmãos em termos evolutivos, mas pensem bem, se eles são assim, imaginem nós humanos?!
As culturas humanas de caçadores-coletores são formadas por indivíduos imersos em uma coletividade, uns ajudando aos outros pela sobrevivência individual e a de todos ao mesmo tempo. Não existe a figura do “empreendedor” que se faz sozinho.
Drauzio Varella em seu livro "Por um fio (2004: 158)" descreve assim o sentimento de que certa vez ele sentiu quando estava em estágio na Suécia: “(...) Quanta diferença haveria em nascer num lugar sem gente pobre como Estocolmo e num bairro de operário de São Paulo? (...) Senti uma inveja como as da infância, difícil de entender. (...) Viver naquele país culto, organizado, sem miséria por perto, atraindo olhares admirados das mulheres.” Em meu caso particular, onde nasci e aqui onde trabalho nem São Paulo é! Bastou para mim uma viagem para Curitiba em 1998 e eu senti o mesmo que Drauzio Varella na Suécia. Olhem que Paraíba, Ceará e Paraná são estados de um mesmo Brasil!
A Suécia, Finlândia e Noruega não são bons exemplos do Capitalismo, porque não formam o núcleo dominante, tão pouco a periferia desse sistema. Se olharmos para o centro teremos os Estados Unidos e Inglaterra, sendo o primeiro quase um império monolítico com padrões de consumo e necessidades energéticas muito acima do poder de suporte deste planeta. Várias mentiras foram reveladas com o passar do tempo. A mais escandalosa é que nós no Brasil e outros países estamos em uma fase “em desenvolvimento”, que estamos “no caminho” para nos tornarmos uma potência desenvolvida.
O maior crítico é o economista brasileiro Celso Furtado (leia os clássicos "Formação econômica do Brasil" de 1959 e "Raízes do subdesenvolvimento" de 2001), o qual demonstrou que essa doutrina econômica do desenvolvimento é uma mentira dos países dominantes para seus explorados. Os Estados Unidos não passaram por nenhuma fase de “subdesenvolvimento, ou em desenvolvimento” para se tornarem o que são. Eles não possuem nada parecido com a história do Brasil. Fomos e somos um povo colonizado.
Realmente, Chomsky e Celso Furtado estão certos, só existe capitalismo de verdade em países pobres e explorados!
No cerne do capitalismo americano está o “American way of life”, onde indivíduos se constroem e vencem por si mesmos. Não conseguir se tornar poderoso e rico lê-se nas entrelinhas: “loser” (perdedor). O indivíduo passa a ser o único responsável pela sua sobrevivência, sucesso e fracasso, algo completamente diferente da natureza primata humana.
Não há liberdade nesse sistema capitalista, apenas retórica e discursos falsos. Se continuarmos nessa ilusão social de que podemos fazer tudo sozinhos, privando milhões de pessoas à miséria, destruindo tudo para mantermos hábitos de consumo supérfluos, vamos nós mesmos criar várias crises econômicas que podem até nos levar para uma vida em meio a barbárie.
Após ter essa certeza, optei pelo socialismo/ comunismo por afinidade às nossas raízes naturais e porque é a única proposta pensada, analisada, com estrutura filosófica e científica (não deixe de ler o clássico "A ideologia alemã" de Marx e Engels, 1933) que se contrapõe ao modelo capitalista vigente. Em minha opinião, o final do capitalismo é uma questão de sobrevivência humana.
Não estou defendendo erros, ou acertos de um pais ou outro, mas apenas escrevo que há algo mais positivo no socialismo em si e na luta por ele, do que simplesmente desistir e entregar-se ao mundo canibal do capitalismo selvagem. Se há erros nas experiências realizadas, é nossa obrigação corrigi-los. Novamente, nós necessitamos de um modelo sócio-econômico onde todos tenham acesso à educação, saúde e lazer gratuito e de qualidade. Um sistema que priorize o coletivo, as pessoas e, claro, o ambiente.
Sobreviveremos às crises do capitalismo? Sim, mas repito: será em meio à barbárie e caos ambiental.
Por que os chimpanzés sabem que “indivíduos empreendedores, egoístas e acumuladores” são os vilões de verdade, mas nós não? Se vivermos em um mundo de ponta a cabeça, nós que deveríamos ser os heróis, vamos sofrer com esses vilões e ainda acharemos que a culpa é nossa!
Voltemos às nossas raízes humanas e vamos seguir nossos instintos de animais sociais cooperativos. Chega de lutar contra nossa natureza!
A sobrevivência humana segue seu rumo!!!
Links
http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2051/artigo127063-2.htm
http://titaferreira.multiply.com/market/item/494/Ecologia_e_Socialismo
http://www.marx.org/portugues/marx/1845/ideologia-alema-oe/index.htm
http://www.centrocelsofurtado.org.br/
DESCONSTRUÇÃO
Um ser humano em desconstrução?Só você Razek para me questionar sobre o que eu não sei responder.
Na verdade, a resposta pode ser longa, no entanto, parece-me questionador imaginar em que o homem construído tem se tornado, um destruidor antropocêntrico do ecossistema, cheio de razão e de valores "polissuicidas". Parece-me constrangedor construir um ser tão destrutivo, quando descontruí-lo parece ser necessário e óbvio, mesmo que isso signifique uma autodesconstrução.
2 de agosto de 2009
Revisitando Victor Hugo
...
Joatan Freitas
Luênia Aderaldo
Aldo Filho
Jean Maccolle
Izaura e Érica
Rivelino e Mozart
Wadson Santos
Angeline Carolino
Lilian de Maria
Alexandre Uchoa
Airton de Maria
Rafael Carvalho
Adelita Monteiro
João Moreira
Carlos Alberto Ribeiro
Willame Frederico
Lute primeiro, por dignidade,
e, faça da liberdade sua principal causa.
E se for enganado seja forte em resistir
e resistindo não se desespere.
Lute, pois, com mais bravura,
E mesmo triste nunca se entregue.
Lute também por igualdade e justiça social
e, mesmo tolerante,
continue firme e fiel com seus princípios,
no intuito de fazer transbordar,
a confiança ao invés da dúvida...
Porque acreditar nunca é demais,
Sobretudo, quando se tem
tanto para transformar.
Desejo que você seja terno,
e que esta ternura, faça-lhe sincero
E na medida exata, resistente,
E algumas vezes, se for necessário,
Irredutível.
Desejo, que você seja intransigente,
quando estiver certo, mas não arrogante.
E que nos momentos de sofreguidão,
quando lhe faltar inclusive a razão,
deite-se no colo da melancolia e sinta
A meiga doçura de se ter uma companhia.
Desejo é claro, que você seja divergente,
com quem o escuta, e perseverante,
Com aquele que o interroga,
E sem empáfia,
Faça-o sonhar um pouco, a cada dia,
com um mundo novo,
Até que ele próprio se sinta convencido
e se reivindique amigo do ato de revolucionar
sem hesitar.
Desejo que nessa busca,
incessante por um mundo novo,
Você saiba ser esperto, inteligente,
Oportunista, talvez...
Mas, nunca mau caráter.
E que no fim de mais um dia dessa
luta renhida,
Tenha clareza de que fez tudo,
mas ainda falta o principal,
que é a edificação de
gentes e não de coisas.
Desejo por sinal que você tenha impavidez
e segurança, mas que pelo menos pra
seus aliados confesse que
possui sentimento, para que assim eles
aprendam que ser imbatível
é se dar o direito de temer,
mas não de fraquejar.
Desejo que você destrua o capitalismo,
com rapidez e habilidade,
E se isso acontecer,
eu serei o primeiro a dizer
com um forte sorriso
que o por do sol está lindo.
E todas as manhãs,
chamarei o meu vizinho do lado,
para curtir o desabrochar da roseira,
sem me preocupar
com tiranias e crueldades.
Desejo ainda que você tenha paciência
e busque nela um modo triunfante de encarar
as derrotas e que isso não sirva, apenas,
para que você se descubra um iluminado que
se sente infeliz porque os outros não veem
o que só você consegue vê.
Desejo que você escute um indigente,
dos mais tristonhos e miseráveis,
para que juntos possam se construir
Político e intelectualmente,
Você com ele e ele com você,
e assim você descubra de quantas
muitas mentiras é feita a vida.
Desejo, e muito, que você tenha coragem,
porque a caminhada é longa.
E que pelo menos num desses instantes de combate
você pense em alguém, e assim relembre
O que de pertinente esse alguém o ensinou
E se tiver sido o contrário, que você ignore,
Afim de que não se veja demasiadamente
infalível.
Desejo, desejo mesmo,
que nenhum de seus aliados,se acovarde,
não por você, pelo ideal,
mas que se ocorrer, você possa continuar
sem se entregar, e lutar sem se lastimar.
Desejo, por fim, que você
sendo contumaz,
tenha sempre uma causa,
e que, sendo libertário,
não se esqueça de agir,
e que lute hoje, amanhã
e até no último dia
que anteceder a vitória,
e quando estiver exaurido,
ainda haja força para acreditar.
E se tudo isso acontecer,
só uma coisa eu tenho a lhe desejar:
Que você faça um poema,
para que você experimente
a ânsia amarga e tépida do que é
Ser Poeta.
Razek Seravhat, Ternura Sempre!