18 de dezembro de 2009

O Silêncio é de Ouro


Falam nas minhas costas coisas que eu não vou saber
Escondem dos meus olhos livros que eu não posso ler
Quanto segredo ao pé do ouvido o vento leva pelo ar?
Pássaro ferido que não pode mais voar
Cartas, cartões, postais,recados
vem de longe para me dizer
que hoje em dia o silêncio é de ouro

Como serão as terras que eu não posso visitar?
Devem ter me esquecido amigos que eu não possso ver
Longe de mim o canto que eu precisava tanto escutar
que é da varanda grande de onde eu costumava olhar
um pôr-de-sol brilhante de uma terra boa de viver
Quem levou de mim esse tesouro?

Em cada boca fechada uma caverna silenciosa
onde não vive nada além do segredo
Em cada olho fechado
rola um planeta desorientado
onde não cresce nada além do medo

* Esta letra é uma canção composta pela dupla Sá e Guarabira.

11 de dezembro de 2009

MENSAGEM DE NATAL



Leonardo Boff, em um texto publicado às vésperas do Natal de 2006, conta-nos que Dom Pedro Casaldáliga diante de um indiosinho recém-nascido escreveu: "Não vi a tal da estrela. Mas vi um Deus muito pobre. Maria estava desperta, desperta estava a noite. E estava sobressaltado para sempre o rei Herodes."
Bonita essa idéia: Natal é Advento; é advento de um tempo em que os Herodes de todos os tempos vivem aos sobressaltos, porque nasceu o Messias [a imagem acima é de um presépio peruano].

Guardas florestais


Artigo no Jornal, O Povo, caderno Opinião.

http://opovo.uol.com.br/opovo/opiniao/936166.html

Guardas florestais
Gilvan Rocha
11 Dez 2009 - 01h41min

A função de guardas florestais é louvável e necessária. Mas seria uma infantilidade imaginar que preservaríamos nossas florestas contratando mais guardas florestais, sobretudo, porque eles têm comportamento e visão localizada da questão do meio ambiente. Aliás, os ambientalistas, no que pese o nosso respeito pela boa vontade que possam ter ou a nossa repulsa por utilizarem-se desse expediente como meio de vida, estão impossibilitados de salvar o mundo. Essa tarefa só poderá ser obra da sociedade.

Reduzir o ambientalismo em especialidade de doutos é reduzir a questão ao inatingível, pois a preservação real do meio ambiente só poderá ser obra social, portanto, uma obra intrinsecamente política.

A ex-ministra Marina da Silva desponta como candidata a presidente da República em coligação com o Psol. Sem dúvidas, como já dissemos , Marina merece o respeito e a admiração de todos nós na medida em que se levantou valentemente contra os senhores do agronegócio que ,de forma abusiva, usam as suas motosserras para produção de pastos e plantios de soja, devastando em escala geométrica as nossas matas.

Observe-se que por trás de cada motosserra existe um trabalhador necessitando desesperadamente daquele emprego. Trabalhadores e agropredadores que promovem a devastação da natureza o fazem em nome do lucro para os patrões. Lutar em favor da preservação ambiental é lutar, antes de tudo, contra o capitalismo de forma explícita. Do contrário, seja de boa fé ou não, estaremos escamoteando a questão.

Aliás, a burguesia tem apresentado projetos e tomado medidas em torno do problema sem ultrapassar, porém, os limites do capitalismo, ou seja, pretende encontrar soluções preservando o sistema. E a esquerda desavisada termina fazendo o jogo da burguesia com o seu discurso mutilado a respeito do assunto. Hoje, fala-se com muita simpatia no nome da ex-ministra Marina da Silva como candidata à presidência da República numa coligação PV e Psol. Ora, presume-se que o Psol seja um partido de natureza anticapitalista e nunca um partido ambientalista dotado de desinformação e romantismo.

Gilvan Rocha - Presidente do Caep- Centro de Atividades e Estudos Políticos