8 de março de 2013

AS MUDANÇAS NA IGREJA SOB A INFLUÊNCIA DO PAPA


AS MUDANÇAS NA IGREJA SOB A INFLUÊNCIA DO PAPA
A tradição católica traduz no texto do evangelho de Mateus 16,18 que descreve: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”, a fundamentação de uma doutrina segundo a qual a hierarquia estruturada da Igreja atual assume o poder como uma instituição criada por Jesus. Esta é uma declaração polêmica. Muitos teólogos e biblistas rebateram esta afirmação, uma vez que Jesus compartilhou com seus discípulos(as) numa comunidade fraterna itinerante com atitude de perdão, de justiça e paz.
As mudanças ocorrem e isto é uma verdade. Não é diferente no mundo da Igreja. Convivemos com os 50 anos do Concílio Ecumênico Vaticano II (1962 - 1965). De lá para cá pouco se cumpriu no que diz respeito aos 16 documentos assinados pelos papas João XXIII e Paulo VI. Depois de João Paulo I e João Paulo II, veio Bento XVI (Joseph Tatizinger, alemão). Sobre o ecumenismo o Concílio decreta em “Promover a restauração da unidade entre todos os cristãos” (Unitatis Redintegratio(UR), 1), reconhecendo “todos que de alguma forma já pertencem ao Povo de Deus (UR,3). Ainda falta muito principalmente no tocante ao diálogo entre as diversas religiões. A Igreja Católica Apostólica Romana não pode continuar com as atitudes da cristandade  do período medieval imperando com as afirmações como detentora da verdade, a única Igreja como caminho de salvação. Neste mesmo documento aconselha que “em tudo cultivem a caridade” (UR,4).
Na América Latina celebramos os 40 anos da Teologia da Libertação que trouxe mudanças no contexto da Igreja ser uma grande comunidade eclesial de base fundamentada na experiência da caminhada do Povo de Deus inspirado no livro do Êxodo e no Evangelho de Jesus Cristo. O exemplo dos primeiros cristão ensina que a Igreja deve ser em comunhão fraterna, na fração do pão e em oração, compartilhando tudo com todos, convivendo em unidade. Vendiam as suas propriedades e seus bens para repartir o dinheiro entre todos, segundo a necessidade de cada um (cf. At 2,42-47).
 Quais os problemas não resolvidos na Igreja Católica no mundo moderno? E o que precisa mudar? Alguns pontos podem ser citados como temas polêmicos que causam impacto no contexto social, a saber: A liturgia da missa ainda é celebrada do mesmo jeito como era nos séculos passados; o celibato é exigido para todos os seminaristas como um critério para ser padre; a formação dos seminaristas e agentes de pastorais é desarticulada do compromisso com os pobres, são orientados para administrar ainda uma paróquia; a infabilidade do papa; a falta de participação feminina nas decisões da Igreja como o direito de celebrar ou até eleger ou ser eleita uma papisa; o homossexualismo dentro da Igreja; o planejamento familiar é orientado pelo catecismo romano e não pela realidade atual da família, considerando pecado os métodos anticonceptivos; o divórcio é outra realidade vista como um pecado e não como uma questão legal; a falta de diálogo inter-religioso e o ecumenismo defendido pelo Concílio Vaticano II ainda estão ano-luz de distância para uma vivência à luz do evangelho de Jesus Cristo. Diante de tudo isto, diz Hans Küng, teólogo suíço, “A Igreja está doente porque vive no século XI”.
A renúncia do papa Bento XVI previsto oficialmente para o dia 28/02/2013, traduz um princípio de mudança em favor de um mundo melhor, tendo em vista os limites de um sacerdote-professor sem condições de resolver as questões supracitadas. A escolha do Sumo Pontífice poderia acontecer no processo democrático pelos membros da Igreja Católica que pelo batismo iniciaram na fé cristã e não somente pelos cardeais. Nós votamos no nosso presidente da república, por que os católicos não podem votar na escolha do papa?
Já chegou o tempo para um novo cristianismo possível de convivência entre as diversas religiões. É preciso entender a responsabilidade coletiva na construção da história humana baseado no Evangelho de Jesus. O Reino de Deus começa no mundo criado por meio da grande Igreja Povo de Deus serva e pobre. A cristandade já passou. Jesus não criou o cristianismo nem fundou uma religião. “O culto a Jesus vai substituindo o seguimento de Jesus” (J. Comblin). A religião é simbólica e doutrinal. O evangelho é vivo, real e social. Exige renúncia ao poder.
 Diante das questões que exigem mudanças na Igreja cabe esta reflexão aqui exposta em favor do Evangelho que vem de Jesus Cristo que sempre defendeu os pobres, os presos, os cegos, os oprimidos... “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às Igrejas” (Ap 2,7).
*Jonas Serafim, licenciado em Ciências da Religião.
(serafimjonas@yahoo.com.br)

15 de fevereiro de 2013

Professor veja se sua escola recebeu o PMDE




No mês de janeiro, 71 escolas municipais de Fortaleza foram beneficiadas com o restante do repasse da primeira parcela do Programa de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino (PMDE). Foram liberados pelo Secretário de Educação, Ivo Gomes, R$ 1.292.421,00 (Um milhão, duzentos e noventa e dois mil, quatrocentos e vinte e um reais) para as Unidades Executoras/Conselhos Escolares, que são responsáveis pela execução dos recursos da patrimonial, das unidades anexas e creches vinculadas, conforme a quantidade de alunos matriculados.


Lista De Escolas Beneficiadas do PMDE – 1ª Etapa
Emeif Francisco Silva Cavalcante
Emeif Dom Aloisio Lorscheider
Emeif José Carlos de Pinho
Emeif Professora Antonieta Cals
Emeif Professor Alvaro Costa
CMES Casimiro José de Lima Filho
Emeif Professor Luis Costa
CMES Professor José Rebouças Macambira
Emeif Francisco Edilson Pinheiro
Emeif José de Alencar
Emeif Professor José Parsifal Barroso
Emeif Luis Angelo Pereira
Emeif Deputado José Dias Macedo
Emeif  Nossa Senhora  Perpetuo Socorro
Emeif Alba Frota
Emeif Jader de Figueiredo Correia
Emeif Lorhan Marques Medeiros
Emeif Aldeides Regis
Emeif Professor Godofredo de Castro Filho
Emeif Filgueiras Lima
Emeif Antônio Sales
Emeif José Carlos da Costa Ribeiro
CMES Professor Clodoaldo Pinto
CMES Projeto Nascente
CMES José Sobreira de Amorim
Emeif Antonio Diogo de Siqueira
Emeif Dom José Tupinamba da Frota
Emeif Professora Maria Liduina Correa Leite
Emeif Vicente Fialho
Emeif Raimundo Soares de Sousa
Emeif Adroaldo Teixeira Castelo
Emeif Joaquim Nogueira
Emeif Irmã Dulce
Emeif José Bonifácio de Sousa
CEI César Cals
Emeif Francisco Nunes Cavalcante

A informação é da própria sme.

8 de fevereiro de 2013

Da visão sob Stella Adler, segundo seu livro “Técnica da Representação Teatral”, como fonte de pesquisa teatral, segundo investigação cênica de Lúcio Leonn

Imagem\fonte\visite: http://www.stellaadler.com/about/history/


Para Stella Adler (1901-1992) o objetivo do seu livro é contribuir para dar ao intérprete procedimentos técnicos e levá-lo a imersão com alma e ofício que ela considera: “ser uma totalidade de coração, mente e espírito – uma arte que libera ideias e, agindo dessa forma, transforma o ator num instrumento de propósito artístico”. A propósito, um bom intérprete pode seguir lutando por esse ideal. Afirma-nos.

Tornar evidente quanto às opiniões do dramaturgo e eficaz ao expressá-las é obrigação de todo o intérprete da cena. Ele não deve ocupar-se de opiniões do autor fortuitamente. Necessita progredi-las de maneira que sejam do Homem. As ideias conservam as boas-fés pelas quais as pessoas tendem a existir. Essas boas-fés são comunicadas pelo intérprete cênico. Por esta razão, ele se transforma num partícipe essencial da sociedade que colaborou para o mundo contemporâneo.

Por um lado, Stella Adler não faz somente uma autocrítica quanto às atitudes de muitos atores americanos na distorção e no uso do sistema de Stanislavski, propriamente o “Método”. Tanto que defende no seu livro com o seguinte ponto de vista: “O objetivo da técnica que ora enfatizamos é afastar o ator daquelas técnicas antiquadas ou que foram usadas com abuso em nome de Stanislavski” (Capítulo 12 – A contribuição do ator – ADLER, 2008, p.173). E nesse meio tempo, após ter atuado e dirigido no teatro americano, teve a oportunidade de estudar pessoalmente com ele em Paris, ano de 1934.

Nos momentos que atuava, Adler começou a lecionar e dirigir, na intenção de distorcer o que criaram acerca do sistema do Mestre. Seu ensino era e é baseado não apenas nas ideias do mestre russo, mas igualmente num método natural que está acessível a todos.

Por outro, críticas de como os atores americanos menosprezam muito o valor de sua consciência coletiva; a vaga opinião do que seja tradição. Além da alienação dos Estados Unidos com o entorno do mundo ocidental, sem interligação intertranscultural; o abandono de toda tradição e de todo o sentido histórico; e, no trabalho teatral um mal se abateu aos atores quando lhes persuadiram que teriam que se ensaiar na cena ao invés de experimentar as circunstâncias dadas.

Outro instante de atuação, apontado por Stella aos atores americanos, é que eles têm terror de grandiosidade. “Quando às ideias do autor são universais e épicas, o ator se retira. Tem medo de exagerar. Traz as ideias do autor para seu nível mais simples, que ele chama de ser real no palco”. Nos sinaliza Adler (p.156).
Levando tudo isso em consideração, numa das páginas do volume para concluirmos; Stella indica que o jogo da sobrevivência no meio de tudo isso está em você valorizar o que você guarda de conhecimento adquirido e, somente assim poderá assumir um grau de envolvimento com seu ego. (Releituras de compilações minhas seguindo os trechos de seu livro, p.18-19; p.39; p.58; p.174-175.).

Por fim, sem darmos igualmente muita vazão ao movimento de multiculturalismo norte-americano ou o etnocentrismo ou preconceito contra estrangeiros, em contraponto, se levarmos em conta a diversidade cultural ou campo de atuação (escolas de teatro\ensino-aprendizagem\atores e atrizes) no Brasil; além de tentarmos reescrever aqui que: “[...] ‘os equívocos referentes à Stanislavski tenham sido bem menores, possivelmente devido à presença de Eugênio Kusnet entre nós. [...] Kusnet, entretanto, não chegaria a atingir as proporções que o Método de Strasberg teve nos Estados Unidos. [...]’” (Rizzo p. 57). Vide suptópico “Breve visão de Jogo(s)\(teatrais), segundo Stanislavski\Brecht, Capítulo 1,  (In LUCENA, 2012, p.19).

Logo, estamos em vista de interface ou obra já publicada, “Ator e Estranhamento: Brecht e Stanislavski, segundo Kusnet” (Rizzo 2001 p. 54-57) que nos revela como o Actor’s Studio conseguiu (no mundo ocidental) grande aceitação a partir do sistema de Stanislavski; dentre outros procedimentos pessoais de professores, difundi-lo erroneamente, através dos Estados Unidos.

Então, tal terceiro mestre (Eugênio Kusnet, "Ator e Método", 1975) ou, o que ora ressaltamos sobre a obra de Stella Adler (atuação\direção)\pedagógico), é o que torna a seleção relevante dentro dum contexto atual de ensino ou na busca de uma abordagem. “E não uma técnica, de imediato”. Ressaltamos.

O Livro Eugenio Kusnet - Ator e Método – lido por Wagner Moura [à venda] por R$ 300,00¹

















Sem dúvida a escolha do livro de uma atriz, antes de tudo professora nascida em Nova Iorque e filha de atores “tradicionais” da América; se deu justamente por esse olhar desbravador de artista\educadora tendo à frente todo o ensino e pensamentos absortos de Constantin Stanislavski. No entanto, da prática metodológica de Stella Adler na tentativa de continuar exercendo um Teatro sob a dimensão da verdadeira arte de atuar e, na especificidade de cada influente professor (a); seu aluno-ator\atriz – ambos num curto tempo e espaço breve da vida; se o personagem for “bem interpretado” permanecerá maior que a Vida (memorial pessoal – vida teatral\profissionalmente): Alteridade.

Observamos (Adler, 2008) seu relevante ponto de vista.


O ator de hoje precisa ser ajudado. Aqui, a influência do professor é muita específica. Ele orienta o ator quando este começa a trabalhar com ideias. O esclarecimento do texto, o entendimento do personagem, do estilo, da linguagem, do ritmo da peça – estimulam o ator a experimentar a vida e o estilo do dramaturgo. [...] A arte de ensinar deve ter um alicerce forte. Meu ensino era e é baseado não apenas nas ideias de Stanislavski mas também num sistema natural que está ao alcance de todos. Atuar é um trabalho obstinado, necessitando de atenção constante e de planejamento rigoroso. Não é algo para gênios. É para pessoas que trabalham passo a passo. (In Introdução. Tópicos: o ator e a profissão p.16; o impulso de representar     p.19).


Por um aspecto metodológico, “tornou-se essencial sua fundamentação teórica. Adquiriu neste trabalho (TRAJETÓRIA, PROJETOS E TEATRO: APONTAMENTOS MEMORIAIS DA FORMAÇÃO ARTÍSTICA E ACADÊMICA DE UM PROFESSOR/ATOR²) um caráter técnico exemplificador (conjuntamente, investigativo), porque teve tudo a ver com a pesquisa e tema (pedagogia do teatro\direção teatral), em destaque”. Enxerto meu.

No mais, poderíamos ir direto ao ponto: três livros básicos publicados pelo mestre, “A Preparação do Ator\A Construção da Personagem\A Criação de um Papel” que, estudados com afinco por todo estudante de curso de arte-dramática (o que se espera pelo menos uma leitura de cada) poderíamos aprofundar seu teor referencial via fundamentação teórica. Mas, o que está em voga é a experimentação sistemática de olhar prático em grupo, liderado por aqueles professores (as) que sobreviveram aos “erros e acertos” junto ao sistema stanislavskiano século passado.  E, Stella Adler se ressalva como uma dessas pessoas de passagem\espaço de seu tempo ao nosso.

Fontes consultadas
ADLER, Stella. Técnicas da Representação Teatral. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008.

KUSNET, Eugênio. Ator e Método. Rio de Janeiro: Serviço Nacional de Teatro - Ministério da Educação e Cultura, 1975.

LUCENA, Lúcio J. A. (Lúcio Leonn) - Trajetória, Projetos e Teatro: Apontamentos Memoriais da Formação Artística e Acadêmica de Um Professor/Ator. 2012. 62f. Trabalho de conclusão de curso (Licenciatura em Teatro) – Universidade de Brasília (UnB). Instituto de Artes(IdA), Brasilia\Fortaleza, 2012.

RIZZO, Eraldo Pêra. Ator e estranhamento: Brecht e Stanislavski, segundo Kusnet. São Paulo: editora SENAC, 2001.

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¹http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-241496429-livro-eugenio-kusnet-ator-e-metodo-lido-por-wagner-moura-_JM


²Subcapítulo Construções de Cenas aos Levantamentos de Proposições Teatrais, a partir da análise sistemática e/ou comparativa - Stella Adler ao jogo teatral condicionado - ação (tempo e espaço): uma proposta de dimensão estética e pedagógica.

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Fonte: http://notasdator.blogspot.com.br/2013/02/da-visao-sob-stella-adler-segundo-seu.html