“É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.”
Você já teve a sensação
de que tem alguém te seguindo?
É como eu estou me sentindo hoje.
Por mais que eu tente escapar,
Fugir, esconder-me,
Sempre me encontram.
Não dizem nada,
Apenas ficam do meu lado,
Quietos, inertes,
(como os judeus no holocausto.)
Nenhuma palavra...
Não fazem um gesto,
Se ao menos sorrissem,
(nem que fosse por desprezo.)
OH! Infindo dilema,
cujo caos desconhece,
a verdade não explica...
Por que não vai procurar
Outros sonhos,
Ou mesmo qualquer viajante?
Os viajantes sim,
eles precisam de companhia,
desse viver ensurdecedor.
Que comove,
Agrada e
Desaparece.
E tudo que eu quero
É um mundo justo,
Alguém com quem dividir os sonhos,
Mas, na impossibilidade
de me concretizar como novo
me contentaria com um encontro.
Um bom papo,
sorvete de ameixa,
sentar na calçada...
Mas, eles são irredutíveis,
não se comovem,
nem sabem o que é compaixão.
E eu nem ao menos os conheço.
Não sei nem se são reais,
Virtuais ou imaginários.
Será que existem só no desejo
quixotesco de acreditar,
querer e logo depois desistir?
Sinto
e sinto mesmo,
mas eu não tenho nada de novo...
Lamento, não era para eu existir.
Mas não sou um suicida,
Não tenho tanta coragem assim.
Chego!
mas como já disse,
o meu desejo era ser realmente feliz.
Fico
com vontade
e sabor de novo.
Sabor do qual não provei
e imerso numa vontade
que nunca sentirei.
Não se pode sentir vontade
de algo inventado.
Ou pode?
Penso que não é necessário
pedir desculpas.
Ou é?
Na dúvida,
não me levem tão a sério,
( Acreditam em mim?)
Mas se for o caso
desculpem-me.
Razek Seravhat


