2 de janeiro de 2011

À eterna estrela de hidrogênio

A rosa que brota

em cada desejar

de “ano novo”,

de “novo amanhecer”...

Não vinga.

Pior...

se entrega aos espinhos

sendo sufocada pelos respingos

do orvalho dos indiferentes.

Confusas, as pessoas não se ouvem,

fingem conversar.

Enganam-se...

Isolam-se...

E fazem isso pensando em se resguardar.

Por medo do fenecer,

Um simples gesto de arvorecer,

Não se vê mais,

Enquanto a possibilidade de enriquecer

Gera mutilados cerebrais

que se perdem

Nas tecnologias de ponta;

De quem só pensa em se lambuzar

no consumismo;

Ou nas loterias reinventadas

que vão encher os cofres

de quem já não quer transformar;

Por extensão,

A sociedade esquece do ser,

E até mesmo do viver.

Mas, anoitece...

Mais uma volta se completa.

_ amanhã será um lindo dia !

É o que dizem os que resistem,

Contudo, por mais que o sol nasça

e ele outra vez nascerá...

Os seus raios não cessarão;

A fúria da solidão

A mesmice do ano anterior

E o silêncio da multidão.

No máximo,

O brilho do sol trará

comtemplamento transeunte,

Enquanto o esperançar que poderia vir

pela insistência do amanhecer

ficará incrustado na melancolia

da madrugada fria.

Mesmo assim,

O Mundo viaja veloz.

E as pessoas seguem

com aquele gosto

de felicidade desgastada

festejando com euforia

o partir e o chegar

de mais um ano.

Em um tempo

que prega a novidade,

mas não sabe partilhar,

tão pouco consegue entender,

ou sequer ouvir o próximo,

que já se encontra tão endurecido,

por causa do cansaço

que lhe corrói a face,

desde o roxo anoitecer,

até o principio do dia.

De fato, o sol nunca falha.

..........................................................................

Porém,

Num dia qualquer...

Pode acontecer,

da Estrela de Hidrogênio se cansar ,

de tamanha desgraça aperreada,

de tantos sonhos desterrados.

E enfim,

Resolva se implodir,

Fazendo a poeira dos tiranos,

se diluir.

Assim, esta sonata

de temores e horrores

que nos envolve e nos comove,

Mas não nos faz agir

Poderá ter seu fim.

(Ficar alegre com um novo

que logo se tornará ilusão

é algo do qual a humanidade,

deveria, ao menos, recusar.)

( Razek Seravhat)

4 comentários:

  1. Se quiser poderá conferir outros poemas no

    II Recital de Janeiro
    Local: Sorveteria Beijo Doce
    Av: Central, No pólo de Lazer do Conjunto Ceará
    Fortaleza Ce
    Dia: 22/01/2011, 19h

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  2. Amanhã estarei lá, Abraçosssssssss

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  3. Também vou estar lá, Razek. Abraço!

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  4. Valeu gente,
    O Recital foi muito bom.
    Só falta agora, A Revolução!

    Ternura Sempre!

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Ternura Sempre...